terça-feira, julho 14, 2009
Por mim mesma 1 e 2 (dois anos depois...)
Por mim mesma (26/07/2007)
Não sei desenhar. Não vejo novela. Não sei quem é a atriz do momento. Como a nêga, nunca fui à Bahia não. Nem quero ir. Não gosto de mate. Não faço pilates. Nem ioga. Odeio Paulo Coelho. Abomino Jabour e Mainardi.
Não queria morar numa cabana. Não queria ter um iate. Queria ter menos preguiça. Queria ter menos vontade.
Queria tocar piano. Queria cantar. Bem alto.
Queria ler todos os livros bons. Queria ler a alma,
dos maus. Queria comer chocolate e não engordar. Rir na hora de calar.
Queria ter mais amigos
verdadeiros
Queria ter menos amores
vãos.
Queria ter poderes mágicos.
De parar o tempo. De fazer voltar as horas.
Queria ter mais vidas
Pra caber tudo
Que eu queria ser.
Ainda não sei desenhar. E nem vejo novela. Talvez um dia cogite ir à Bahia. O passar dos anos nos deixa mais maleáveis. Faço musculação pela saúde.
Continuo lendo, por prazer. Ainda não aprendi a decifrar a alma dos maus. Muito menos ler todos os livros bons. Sigo tentando. Ambas as coisas.
Queria comer chocolate e não engordar. Consegui. E daí?
Não me importa.
Importam-me os poucos, mas bons amigos que mantive. Os amores, que a maturidade me fez ver que, mesmo desfeitos, nunca são vãos.
Não quero mais parar o tempo, fazer voltar as horas.
Queria sim viver num mundo menos breve, onde o amor e a amizade não estivessem fora de moda. Onde as pessoas fossem menos individualistas e mais solidárias. Luto pra ser uma pessoa melhor para mim mesma e para os outros todos os dias.
E ainda tenho muito tempo, pois nessa vida efêmera, cada segundo é eterno, e tenho muitos deles pra ser tudo que eu queira ser.
Tatiana Castro
quinta-feira, maio 21, 2009
Fuga
Sob o lençol
meu ventre, meu cheiro
Ainda dormem.
O olhar da partida
Em vão suplica
Não vá...
Mas já perdi as vestes,
Já gastei as preces.
Já rasguei os planos,
desfiz-me dos anos.
Já fugi
De mim.
meu ventre, meu cheiro
Ainda dormem.
O olhar da partida
Em vão suplica
Não vá...
Mas já perdi as vestes,
Já gastei as preces.
Já rasguei os planos,
desfiz-me dos anos.
Já fugi
De mim.
terça-feira, maio 12, 2009
Artigo sobre globalização
Tive um artigo publicado no Observatório da Imprensa!!! Para quem quiser ler, é só clicar no título deste post! bjsss
sexta-feira, abril 10, 2009
Elis... para sempre Elis..
Acabei de ler o livro Furacão Elis hoje. Me sinto tão arrebatada como quando comecei a ler. Continuo sem saber quem foi Elis. Percebi que é impossível reconstruir a identidade de alguém, mesmo que se tenha vivido próximo a ela. Mesmo que se tenha casado com essa pessoa, convivido diariamente, tenha sido seu filho ou melhor amigo. Acho que ninguém é capaz de definir Elis. Nem ela mesmo o saberia, se estivesse viva. Sua própria mãe, em depoimento ao livro, diz que "não é porque ela morreu que direi que era um doce de coco". Ler esse livro não me fez deixar de admirar Elis, muito menos conhecê-la mais. Talvez fosse melhor nunca tê-lo lido. Para que ela ficasse assim, imaculada, para sempre. Como a eterna pimentinha Elis.
domingo, março 01, 2009
Quarta-feira de cinzas
Já posso ouvir, ao longe, os últimos batuques. Das fantasias restou o brilho, caído no chão em lantejoulas, em purpurina. É quarta-feira de cinzas. Seria também o fim da alegria? O carnaval acabou. Retorno à realidade. É quarta-feira. De cinzas. Amanhã o Brasil começa de novo. Ou se inicia? Nessa hora penso... ainda tem o Campeonato Carioca, o BBB e, mais tarde, o Brasileirão. Panis et circenses. Será que é essa a identidade nacional?
Diogo Mainardi acha que não. Possui uma posição extremamente radical com relação à identidade cultural. Para ele, ela simplesmente não existe. Sua visão é a de que o carnaval não representa nada, não representa a alma do brasileiro nem tampouco o que somos; é somente o carnaval.
Discordo em absoluto de Mainardi. Acredito que o carnaval, a maior festa de nosso calendário, é sim uma representação de nossa identidade cultural, e faço coro com Roberto da Matta quando este afirma que a identidade nacional existe, e existe legitimamente. Ele afirma que a identidade nacional pode ser construída de duas maneiras, o que faz do brasil (assim mesmo, com letra minúscula), Brasil (com letra maiúscula). O primeiro critério leva em consideração os dados quantitativos – como o PIB, PNB, renda per capita e estatísticas econômicas - que faz com que não sejamos o país que queríamos ser. O segundo se baseia em dados qualitativos, que algumas sociedades possuem, e se caracteriza em nosso caso pelo “jeitinho” brasileiro, pelo carnaval, pelo futebol, pela comida misturada, pela música.
A identidade nacional não pode, em minha opinião, basear-se somente num aspecto. Não é somente o carnaval o rito mais representativo da nossa identidade e não é somente ele que faz tapar os olhos do povo à corrupção, à crise, ao baixo salário, às dívidas, à falta de respeito ao cidadão. Isso não ocorre somente no carnaval. Como afirma da Matta, a nossa identidade cultural está ligada a dados, como PIB, renda per capita e também pelo modo como vivemos. O conhecido “jeitinho brasileiro”, do país do carnaval, da Cidade Maravilhosa, do melhor futebol do mundo, da música de qualidade, dentre tantas outras coisas, faz parte de nossa identidade cultural. É uma pena que não faça parte também a indignação, o protesto, a luta contra a tirania, marca da identidade cultural de alguns de nossos vizinhos. E que depois da última batucada, a passividade nos volte ao normal.
quinta-feira, fevereiro 05, 2009
A não-poesia
Não tenho mais tempo para a poesia
Ou talvez não tenha mais versos.
Na contramão do dia-a-dia
de súbito se esvaem
como não fossem pra ser.
A poesia precisa de tempo
E isso eu não mais tenho.
Talvez pegue emprestado
uns versos soltos,
e como numa colcha de retalhos,
mande-os tecer.
Mas a poesia precisa de tempo.
E isso eu já não posso mais lhe oferecer.
Ou talvez não tenha mais versos.
Na contramão do dia-a-dia
de súbito se esvaem
como não fossem pra ser.
A poesia precisa de tempo
E isso eu não mais tenho.
Talvez pegue emprestado
uns versos soltos,
e como numa colcha de retalhos,
mande-os tecer.
Mas a poesia precisa de tempo.
E isso eu já não posso mais lhe oferecer.
sexta-feira, novembro 07, 2008
It serves you right! (minha forra!!!)
PODCAST
Diogo Mainardi
Barack Obama ganhou. Eu perdi
Barack Obama ganhou. John McCain perdeu. Eu perdi com ele. Estou acostumado a perder. Meus candidatos quase sempre perdem. Quando um deles ganha, sempre dá um jeito de me envergonhar imediatamente. Por isso, é melhor assim. É melhor perder.
Barack Obama ganhou de John McCain em praticamente todas as categorias sociais: eleitores com mais escolaridade, eleitores com menos escolaridade, negros, latino-americanos, mulheres casadas, mulheres solteiras. Ele só perdeu entre os homens brancos. Alguém muito tolo poderia acusá-los de racismo. Mas nos Estados Unidos o que acontece é exatamente o contrário: é o homem branco votar num candidato mulato apesar de acreditar que o candidato branco se sairia melhor no papel de presidente. Alguém muito tolo poderia imaginar que os homens brancos de Indiana, depois de fechar suas farmácias e suas lojas de ferramentas, colocam um capuz pontudo e saem por aí linchando os negros. Repito: alguém muito tolo. O debate racial nos Estados Unidos está mais para A Mancha Humana, de Phillip Roth, do que para O Homem Invisível, de Ralph Ellison. O que menos importa em Barack Obama é sua mulatice. Ele próprio acredita nisso. Ridiculamente, ele está sendo tratado por todos como um Nelson Mandela, e os Estados Unidos, como uma África do Sul dos tempos do "apartheid". Calma. Muita calma.
Em seu primeiro discurso, na noite em que foi eleito, Barack Obama se comprometeu a resolver todos os conflitos internacionais sem recorrer ao poderio militar americano. Se a Igreja Católica se arrependeu publicamente de ter queimado Giordano Bruno, agora os Estados Unidos se arrependeram publicamente de ter enforcado Saddam Hussein, o herege copernicano das arábias.
A imprensa americana errou na guerra do Iraque, publicando os relatórios passados pela Casa Branca e pelo Pentágono sem checá-los, sem apurá-los, sem investigá-los. Com Barack Obama, ela repetiu o mesmo erro. A imprensa pode apoiar um candidato, como apoiou Barack Obama, mas sem permitir que esse apoio interfira na cobertura dos fatos. O partidarismo dos jornais e das TVs contra os republicanos me incomodou tanto que, a certa altura, eu já estava defendendo apaixonadamente o Criacionismo.
Quando Barack Obama foi eleito, protestei dormindo com um abajur aceso. Pensei que meu ato ajudaria a derreter a calota polar, inundando a sala de estar de um ou dois colunistas do New York Times. Depois me lembrei que eu também moro no litoral. E desliguei o abajur. Fui derrotado. Outra vez.
Diogo Mainardi
Barack Obama ganhou. Eu perdi
Barack Obama ganhou. John McCain perdeu. Eu perdi com ele. Estou acostumado a perder. Meus candidatos quase sempre perdem. Quando um deles ganha, sempre dá um jeito de me envergonhar imediatamente. Por isso, é melhor assim. É melhor perder.
Barack Obama ganhou de John McCain em praticamente todas as categorias sociais: eleitores com mais escolaridade, eleitores com menos escolaridade, negros, latino-americanos, mulheres casadas, mulheres solteiras. Ele só perdeu entre os homens brancos. Alguém muito tolo poderia acusá-los de racismo. Mas nos Estados Unidos o que acontece é exatamente o contrário: é o homem branco votar num candidato mulato apesar de acreditar que o candidato branco se sairia melhor no papel de presidente. Alguém muito tolo poderia imaginar que os homens brancos de Indiana, depois de fechar suas farmácias e suas lojas de ferramentas, colocam um capuz pontudo e saem por aí linchando os negros. Repito: alguém muito tolo. O debate racial nos Estados Unidos está mais para A Mancha Humana, de Phillip Roth, do que para O Homem Invisível, de Ralph Ellison. O que menos importa em Barack Obama é sua mulatice. Ele próprio acredita nisso. Ridiculamente, ele está sendo tratado por todos como um Nelson Mandela, e os Estados Unidos, como uma África do Sul dos tempos do "apartheid". Calma. Muita calma.
Em seu primeiro discurso, na noite em que foi eleito, Barack Obama se comprometeu a resolver todos os conflitos internacionais sem recorrer ao poderio militar americano. Se a Igreja Católica se arrependeu publicamente de ter queimado Giordano Bruno, agora os Estados Unidos se arrependeram publicamente de ter enforcado Saddam Hussein, o herege copernicano das arábias.
A imprensa americana errou na guerra do Iraque, publicando os relatórios passados pela Casa Branca e pelo Pentágono sem checá-los, sem apurá-los, sem investigá-los. Com Barack Obama, ela repetiu o mesmo erro. A imprensa pode apoiar um candidato, como apoiou Barack Obama, mas sem permitir que esse apoio interfira na cobertura dos fatos. O partidarismo dos jornais e das TVs contra os republicanos me incomodou tanto que, a certa altura, eu já estava defendendo apaixonadamente o Criacionismo.
Quando Barack Obama foi eleito, protestei dormindo com um abajur aceso. Pensei que meu ato ajudaria a derreter a calota polar, inundando a sala de estar de um ou dois colunistas do New York Times. Depois me lembrei que eu também moro no litoral. E desliguei o abajur. Fui derrotado. Outra vez.
terça-feira, setembro 30, 2008
Reforma Ortográfica
Pára!!!!!! Quer dizer, para tudo!
Mudaram a minha revolta!!!
Que lhes falta? Já tiraram minha
tranquilidade,
aniquilaram o meu voo,
sacaram-me as forças unindo meu arquiinimigo.
Agora só me resta
buscar o diferencial
em meio a novos acentos.
Mudaram a minha revolta!!!
Que lhes falta? Já tiraram minha
tranquilidade,
aniquilaram o meu voo,
sacaram-me as forças unindo meu arquiinimigo.
Agora só me resta
buscar o diferencial
em meio a novos acentos.
sexta-feira, março 07, 2008
Por que amo-te assim?
Amo-te porque amo primeiro a mim
a tudo que fui, que sou, e que ainda serei
amo-te porque tens parte da minha essência,
parte da minha memória, da minha infância
daquilo que parecia ter tido fim.
Amo-te não porque me completas,
mas porque me unes.
Amo cada riso, cada olhar, cada lágrima,
e até mesmo cada palavra
que calas ou que falas.
Mas também odeio-te
cada vez que calas
e cada vez que falas
Cada vez que me faz sentir
ou que nada sinto
Odeio-te quando silencias meu grito
quando ris do meu pranto
quando zombas de meu espanto
E é aí que percebo como te amo
que me desvendas a ponto
de odiar-te até
Descubro, atônita, o verdadeiro amor
Amo-te porque somos um
e eu, por me amar tanto assim
te odiaria se eu mesma
mentisse para mim.
a tudo que fui, que sou, e que ainda serei
amo-te porque tens parte da minha essência,
parte da minha memória, da minha infância
daquilo que parecia ter tido fim.
Amo-te não porque me completas,
mas porque me unes.
Amo cada riso, cada olhar, cada lágrima,
e até mesmo cada palavra
que calas ou que falas.
Mas também odeio-te
cada vez que calas
e cada vez que falas
Cada vez que me faz sentir
ou que nada sinto
Odeio-te quando silencias meu grito
quando ris do meu pranto
quando zombas de meu espanto
E é aí que percebo como te amo
que me desvendas a ponto
de odiar-te até
Descubro, atônita, o verdadeiro amor
Amo-te porque somos um
e eu, por me amar tanto assim
te odiaria se eu mesma
mentisse para mim.
segunda-feira, fevereiro 25, 2008
Maturidade
A pele já não é a mesma.
Nem o brilho, nem a textura.
A dor que doía em desatino
fere pouco mais
que uma leve picada de agulha.
O sonho, antes tão puro e tão menino
Hoje está bem crescido
Mas quando pensa no passado
Chora por seu presente destino.
O riso, outrora tão contido
Hoje ri solto
Da mágoa e da glória
dos anos vividos.
O amor sublime da juventude
ideal inatingível
Abandonou as telas, o folhetim, a ficção
Repousa agora tranqüilo
num lugar desconhecido
que fica no vasto espaço
entre a mente e o coração.
Nem o brilho, nem a textura.
A dor que doía em desatino
fere pouco mais
que uma leve picada de agulha.
O sonho, antes tão puro e tão menino
Hoje está bem crescido
Mas quando pensa no passado
Chora por seu presente destino.
O riso, outrora tão contido
Hoje ri solto
Da mágoa e da glória
dos anos vividos.
O amor sublime da juventude
ideal inatingível
Abandonou as telas, o folhetim, a ficção
Repousa agora tranqüilo
num lugar desconhecido
que fica no vasto espaço
entre a mente e o coração.
quinta-feira, janeiro 10, 2008
Saudade
Preciso ver pra lembrar de ti
Preciso da fotografia,
da imagem
pintada na tela
em tinta a óleo
ou talvez verniz.
Que hoje mora no escuro
e de seu canto amarela
o teu sorriso outrora feliz.
Preciso da fotografia,
da imagem
pintada na tela
em tinta a óleo
ou talvez verniz.
Que hoje mora no escuro
e de seu canto amarela
o teu sorriso outrora feliz.
Desvestir
Tira tua armadura
Descobre o manto do teu medo.
Ama sem mesura,
sem compostura,
sem segredos.
Me olha com olhos de ternura
um olhar que veja só a mim.
Que assim me faço tua
e desvendamos, almas nuas
a vastidão desse nosso sem fim.
Descobre o manto do teu medo.
Ama sem mesura,
sem compostura,
sem segredos.
Me olha com olhos de ternura
um olhar que veja só a mim.
Que assim me faço tua
e desvendamos, almas nuas
a vastidão desse nosso sem fim.
quinta-feira, dezembro 27, 2007
Eduarda
Em teu ventre repousas
Ora quieta
Ora afoita
Um pedacinho
Dele e de ti
Como se fosse minha
sinto tua felicidade plena
e como ti, anseio o dia
que enfim desabrocharás serena
e nos tornará sorrir.
Ora quieta
Ora afoita
Um pedacinho
Dele e de ti
Como se fosse minha
sinto tua felicidade plena
e como ti, anseio o dia
que enfim desabrocharás serena
e nos tornará sorrir.
A esse tal de amor
Nosso enredo começa assim
Do fim para o recomeço
Como numa narrativa
não-linear de Lynch
Como um romance clichê
de final sempre feliz
Como nada que já sonhei
Mas como tudo que sempre quis
Uns diriam:
Escolhidos do destino;
outros, alvos da doce ilusão.
Decerto, daria um livro
Entre os mais vendidos
de não-ficção!
Mas peço a esse tal de amor que o escreva
com as folhas caídas
de cada ano em que o nós não existia
Lhe suplico que escreva a mais bela história a cada dia
Mas que o faça sentado.
No chão.
E que a última palavra lida
Seja escrita
Por nós, a uma só mão.
Do fim para o recomeço
Como numa narrativa
não-linear de Lynch
Como um romance clichê
de final sempre feliz
Como nada que já sonhei
Mas como tudo que sempre quis
Uns diriam:
Escolhidos do destino;
outros, alvos da doce ilusão.
Decerto, daria um livro
Entre os mais vendidos
de não-ficção!
Mas peço a esse tal de amor que o escreva
com as folhas caídas
de cada ano em que o nós não existia
Lhe suplico que escreva a mais bela história a cada dia
Mas que o faça sentado.
No chão.
E que a última palavra lida
Seja escrita
Por nós, a uma só mão.
A falta
Não é a lágrima o que me aflige.
É sua ausência.
Sinto-te aqui dentro
No caminho mais curto
entre os olhos e o coração.
Sinto-te tão profundamente
Que imploro!
Expulsa em ti
o que não choro
e me faça entender
o porquê.
É sua ausência.
Sinto-te aqui dentro
No caminho mais curto
entre os olhos e o coração.
Sinto-te tão profundamente
Que imploro!
Expulsa em ti
o que não choro
e me faça entender
o porquê.
Temor
Meu medo era esse
Que em mim o querer-te
fosse demais
para ti
Temia amar-te
como agora amo
Temia não sentir
que o amor que só a ti proclamo
És teu também.
Que em mim o querer-te
fosse demais
para ti
Temia amar-te
como agora amo
Temia não sentir
que o amor que só a ti proclamo
És teu também.
Ânsia de mim
Sinto que nunca vai partir
Um palpitar incessante
transforma-se em falta
De nada. De ar.
Uma vontade de sair
Desesperadamente
De mim.
Habitar outra alma
De sentir uma calma
De fugir dessa ânsia
De mim.
Um palpitar incessante
transforma-se em falta
De nada. De ar.
Uma vontade de sair
Desesperadamente
De mim.
Habitar outra alma
De sentir uma calma
De fugir dessa ânsia
De mim.
quinta-feira, novembro 15, 2007
Osso duro de roer
Desde "o melhor filme nacional de todos os tempos" até "fascista", os rótulos dados a "Tropa de Elite" são tão ou mais polêmicos que o próprio filme. Uma outra polêmica precedeu a de seu enredo - estima-se que "Tropa" tenha sido assistido por mais de 11 milhões de pessoas antes de seu début nas grandes telas. O diretor José Padilha antevia a controvérsia que sua trama poderia causar, mas não poderia prever que seu filme "vazaria" antes de sua estréia, e muito menos que se tornaria um fenômeno de pirataria, fomentando ainda mais o amplo debate sobre essa indústria e sobre o direito à propriedade intelectual.
O ponto que pretendo abordar, no entanto, passa ao largo dessa discussão, reconhecida aqui sua relevância. O tema a que me refiro diz repeito às diferentes reações causadas pelo filme. Em artigo de seu blog, sob o título "'Tropa de Elite é fascista?" (http://oglobo.globo.com/blogs/arnaldo/default.asp?periodo=&palavra=tropa+de+elite), Arnaldo Bloch deu origem a mais essa polêmica, o que gerou respostas até mesmo por parte de Wagner Moura (que vive o herói-protagonista capitão Nascimento), em artigo ao "O globo" (http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/09/24/297856410.asp).
A questão que mais me aflige é justamente ver que o capitão Nascimento se tornou um herói nacional, fazendo as vezes de um Robin Hood do século XXI - condena os "riquinhos maconheiros", estudantes de uma universidade da Zona Sul, e defende os oprimidos, personificados na figura do aspirante Matias, que convive com os dois mundos - o da favela, de sua origem pobre, e o da burguesia, da faculdade onde estuda. Não que esta não seja parte da realidade. De fato o é. O problema é que ela não é tão simplista assim.
O intuito primeiro do filme não foi provocar tais generalizações e muito menos ser reacionário. Nesse âmbito, concordo com Wagner Moura, pois também não creio que o filme seja fascista, mas faço coro com Arnaldo Bloch com relação à reação do público. Se ele quase vomitou seu pastel de cordeiro, a mim falta apetite ao ver que um filme que inaugura um diferente modo de narrativa, expressa pelo ponto de vista da polícia, seja resumido a máximas como "o usuário é o principal culpado pelo tráfico" ou "estudante de faculdade particular da zona sul é burguês". Causa-me espanto ver que, infelizmente, é essa a "mensagem" que para muitos o filme passa. Mas causa-me mais surpresa ainda constatar que "Tropa" tornou-se um instrumento de afirmação da virilidade masculina - impossível dizer quantas vezes já ouvi "faca na caveira", "tira essa roupa preta porque você é moleque", dentre muitas outras das várias frases marcantes do filme. Se estas frases promovessem um debate sobre a violência no Rio, suscitassem questões relativas ao tráfico de drogas, sobre seu uso, ou até mesmo sobre sua legalização, enfim, se gerassem uma inquietação, um sentimento de revolta e indignação que o filme procura instigar no espectador (ao menos nos conscientes), não me importaria em ouvi-las como um mantra. A realidade, porém, é que "aspira" (que se tornou sinônimo de fraco, inexperiente, novato, em meio à ala masculina) é parte do povo brasileiro, que ao assistir a um filme de tamanha qualidade como "Tropa de elite", capaz de gerar uma reação efetiva contra a situação atual da nossa cidade, ao invés de idéias, só consegue propagar as palavras proferidas aos berros pelo capitão de uma nação falida. Plagiando a música-tema do filme - isso sim, é um osso duro de roer.
O ponto que pretendo abordar, no entanto, passa ao largo dessa discussão, reconhecida aqui sua relevância. O tema a que me refiro diz repeito às diferentes reações causadas pelo filme. Em artigo de seu blog, sob o título "'Tropa de Elite é fascista?" (http://oglobo.globo.com/blogs/arnaldo/default.asp?periodo=&palavra=tropa+de+elite), Arnaldo Bloch deu origem a mais essa polêmica, o que gerou respostas até mesmo por parte de Wagner Moura (que vive o herói-protagonista capitão Nascimento), em artigo ao "O globo" (http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2007/09/24/297856410.asp).
A questão que mais me aflige é justamente ver que o capitão Nascimento se tornou um herói nacional, fazendo as vezes de um Robin Hood do século XXI - condena os "riquinhos maconheiros", estudantes de uma universidade da Zona Sul, e defende os oprimidos, personificados na figura do aspirante Matias, que convive com os dois mundos - o da favela, de sua origem pobre, e o da burguesia, da faculdade onde estuda. Não que esta não seja parte da realidade. De fato o é. O problema é que ela não é tão simplista assim.
O intuito primeiro do filme não foi provocar tais generalizações e muito menos ser reacionário. Nesse âmbito, concordo com Wagner Moura, pois também não creio que o filme seja fascista, mas faço coro com Arnaldo Bloch com relação à reação do público. Se ele quase vomitou seu pastel de cordeiro, a mim falta apetite ao ver que um filme que inaugura um diferente modo de narrativa, expressa pelo ponto de vista da polícia, seja resumido a máximas como "o usuário é o principal culpado pelo tráfico" ou "estudante de faculdade particular da zona sul é burguês". Causa-me espanto ver que, infelizmente, é essa a "mensagem" que para muitos o filme passa. Mas causa-me mais surpresa ainda constatar que "Tropa" tornou-se um instrumento de afirmação da virilidade masculina - impossível dizer quantas vezes já ouvi "faca na caveira", "tira essa roupa preta porque você é moleque", dentre muitas outras das várias frases marcantes do filme. Se estas frases promovessem um debate sobre a violência no Rio, suscitassem questões relativas ao tráfico de drogas, sobre seu uso, ou até mesmo sobre sua legalização, enfim, se gerassem uma inquietação, um sentimento de revolta e indignação que o filme procura instigar no espectador (ao menos nos conscientes), não me importaria em ouvi-las como um mantra. A realidade, porém, é que "aspira" (que se tornou sinônimo de fraco, inexperiente, novato, em meio à ala masculina) é parte do povo brasileiro, que ao assistir a um filme de tamanha qualidade como "Tropa de elite", capaz de gerar uma reação efetiva contra a situação atual da nossa cidade, ao invés de idéias, só consegue propagar as palavras proferidas aos berros pelo capitão de uma nação falida. Plagiando a música-tema do filme - isso sim, é um osso duro de roer.
quinta-feira, outubro 18, 2007
Premonições
Do latim, praemonitione: sensação que anuncia um fato; situação ou fato tomado como um aviso; pressentimento; presságio. Acabei de assistir a um filme estrelado por Sandra Bullock, cujo título é justamente esse - "Premonições" - o que me levou a pensar um pouco mais sobre o assunto.
Desde do início da civilização existem relatos desse fenômeno, mas a ciência sempre tratou a questão com descrédito, com exceção de Einstein, que profetizou que:"a separação entre o passado, o presente e o futuro equivale a uma mera ilusão".
Se algum dia esse fenômeno, ou dom, como alguns preferem classificá-lo, se tornará uma verdade científica, é impossível dizer. No entanto, acredito que todos nós já tenhamos passado por alguma experiência parecida. No meu caso, bem mais de uma.
A intenção ao começar a escrever este texto, porém, não foi compartilhá-las, porque respeito a opinião de quem nem ao menos considera a possibilidade da existência de algo assim. O propósito era falar de algo maior - a mensagem que eu acredito que o filme passa.
Em um dado momento, a personagem principal, Annie, vivida por Sandra Bullock, recorre a um padre para falar de suas aflições. Ele lhe diz uma frase que me marcou muito: "quem não tem fé abre portas para que forças superiores a nós controlem nossa vida". Não sou católica nem espírita, mas acredito em Deus, e acredito também que independente de qualquer religião, nunca devemos parar de crer - no que quer que seja.
A personagem afirma que "não sabe pelo o que lutar" - aliás, fizeram uma tradução errada: "I don´t know what to fight for" ficou "eu não tenho pelo que lutar", o que faz uma grande diferença. Erros de tradução à parte, a narrativa não-linear do filme nos faz refletir não só sobre a possibilidade real do dom da premonição, mas também sobre o tempo, mecanismo criado por nós para tentar medir o infinito vazio que temos, para talvez nos conformamos com o fato irrefutável de que passamos os dias sem saber quando, onde e por que razão ele acabará.
Se alguém com esse dom pudesse prolongar nossa estada aqui, no tempo humano que inventamos, seria maravilhoso. Mas creio que o filme remete a algo mais profundo. Nos mostra que nosso tempo é vazio. Cabe a nós preenchê-lo. Podemos escrever nossa história, letra por letra, página por página, da melhor maneira possível. Ou podemos simplesmente não ligar, e deixar que a escrevam por nós. A maior recompensa dessa narrativa de final desconhecido é justamente essa: saber que cada palavra escrita foi bem escrita, porque ela pode ser também a última.
A personagem afirma que "não sabe pelo o que lutar" - aliás, fizeram uma tradução errada: "I don´t know what to fight for" ficou "eu não tenho pelo que lutar", o que faz uma grande diferença. Erros de tradução à parte, a narrativa não-linear do filme nos faz refletir não só sobre a possibilidade real do dom da premonição, mas também sobre o tempo, mecanismo criado por nós para tentar medir o infinito vazio que temos, para talvez nos conformamos com o fato irrefutável de que passamos os dias sem saber quando, onde e por que razão ele acabará.
Se alguém com esse dom pudesse prolongar nossa estada aqui, no tempo humano que inventamos, seria maravilhoso. Mas creio que o filme remete a algo mais profundo. Nos mostra que nosso tempo é vazio. Cabe a nós preenchê-lo. Podemos escrever nossa história, letra por letra, página por página, da melhor maneira possível. Ou podemos simplesmente não ligar, e deixar que a escrevam por nós. A maior recompensa dessa narrativa de final desconhecido é justamente essa: saber que cada palavra escrita foi bem escrita, porque ela pode ser também a última.
quinta-feira, outubro 11, 2007
Maneirismos de Mainardi
Pedi à minha querida mami para comprar a Playboy da Mônica Veloso. Já na capa, me deparo com a legenda - "A mulher que abalou a república". Hum... Será que “A mulher que despiu o Senado - SEM NADA", não seria mais transparente? Trocadilhos e infâmias à parte, vou logo esclarecendo aos engraçadinhos de plantão (meus dois? rs leitores assíduos): não, eu não tenho tendências homossexuais - mas nada contra, diga-se de passagem. Queria mesmo era ler a entrevista de um desafeto meu - Diogo Mainardi. Não me arrependi. Diogo é a personificação de tudo aquilo que mais abomino: um projeto de jornalista cujo plano é justamente projetar-se na mídia, às custas dos outros.
Meu primeiro contato com o polêmico "debatedor cultural" aconteceu na faculdade de Jornalismo. O melhor professor que eu já tive na vida, Ricardo Oiticica (que faz jus ao sobrenome famoso), me deu a honra de ser sua aluna na disciplina "Cultura Brasileira". Debatemos o texto de Antônio Cândido, "A dialética da malandragem", relacionando-o com "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Joaquim de Almeida, até chegarmos ao carnaval, através de uma análise comparativa entre os textos do antropólogo Roberto da Matta "Carnavais, Malandros e Heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro" e o do jornalista em questão: "Carnaval é só Carnaval".
Mainardi tem uma posição extremamente radical no que diz respeito à nossa identidade cultural. "O carnaval não representa nada, não representa a alma do brasileiro, não representa o que somos, é somente o carnaval". E vai além. Diz que o futebol é apenas um esporte. Até que desenvolvia bem seu ponto de vista, quando de repente cai em contradição: afirma categoricamente que o esporte mais amado de nosso país nada significa, que não admite que ele seja usado como metáfora da identidade nacional, mas que é capaz de desencadear uma guerra civil. Pois não é que outro dia mesmo, uma começou em Angola só porque a Paris Hilton, em uma visitinha rápida ao país, se negou a dar autógrafos? Faça-me o favor, Mainardi!
Bom, voltemos a mais aguardada entrevista já concedida à revista masculina de maior circulação do país. Mainardi é uma alegoria de si mesmo - repete tantas vezes que não quer aparecer na mídia, que nunca teve a intenção de aparecer, que um dia vai acabar acreditando. Periga ir pro BBB só pra mostrar "seu diferencial". Nascido inicialmente como romancista, segundo o próprio, construiu uma defesa contra qualquer expectiva de sucesso. Obviamente, encontrou no ataque o caminho para ele. De Lula, seu opositor mais célebre, a Chico Buarque, o discurso do peculiar jornalista sempre envereda para o caminho da polêmica. Considera-se um homem de opinões pouco convencionais, devido à sua formação intelectual diversa, e ao ser indagado sobre sua "fúria", afirma que este pretenso ódio não passa de deboche. Deboche é afirmar que Chico Buarque fala besteiras rotineiramente, que como letrista é um engodo. E logo a palavra engodo, que em uma de suas acepções significa coisa com que se engoda ou seduz alguém, adulação astuciosa... Qualquer semelhança com Diogo é mera coincidência...
Não fuma, não bebe, não dança - se julga extremamente tedioso - por isso relutava em conceder a entrevista há mais de um ano. Uma pessoa "chocha", como se autodenomina. Nem aparelho de som tem em casa. Afirma que progressivamente foi se afastando da música. Hoje, já não ouve nada. Sem dúvida, fez o mesmo com o bom senso.
Como já dizia o mestre Caymmi, quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Imagina quem nem de música gosta.
Meu primeiro contato com o polêmico "debatedor cultural" aconteceu na faculdade de Jornalismo. O melhor professor que eu já tive na vida, Ricardo Oiticica (que faz jus ao sobrenome famoso), me deu a honra de ser sua aluna na disciplina "Cultura Brasileira". Debatemos o texto de Antônio Cândido, "A dialética da malandragem", relacionando-o com "Memórias de um Sargento de Milícias", de Manuel Joaquim de Almeida, até chegarmos ao carnaval, através de uma análise comparativa entre os textos do antropólogo Roberto da Matta "Carnavais, Malandros e Heróis: para uma sociologia do dilema brasileiro" e o do jornalista em questão: "Carnaval é só Carnaval".
Mainardi tem uma posição extremamente radical no que diz respeito à nossa identidade cultural. "O carnaval não representa nada, não representa a alma do brasileiro, não representa o que somos, é somente o carnaval". E vai além. Diz que o futebol é apenas um esporte. Até que desenvolvia bem seu ponto de vista, quando de repente cai em contradição: afirma categoricamente que o esporte mais amado de nosso país nada significa, que não admite que ele seja usado como metáfora da identidade nacional, mas que é capaz de desencadear uma guerra civil. Pois não é que outro dia mesmo, uma começou em Angola só porque a Paris Hilton, em uma visitinha rápida ao país, se negou a dar autógrafos? Faça-me o favor, Mainardi!
Bom, voltemos a mais aguardada entrevista já concedida à revista masculina de maior circulação do país. Mainardi é uma alegoria de si mesmo - repete tantas vezes que não quer aparecer na mídia, que nunca teve a intenção de aparecer, que um dia vai acabar acreditando. Periga ir pro BBB só pra mostrar "seu diferencial". Nascido inicialmente como romancista, segundo o próprio, construiu uma defesa contra qualquer expectiva de sucesso. Obviamente, encontrou no ataque o caminho para ele. De Lula, seu opositor mais célebre, a Chico Buarque, o discurso do peculiar jornalista sempre envereda para o caminho da polêmica. Considera-se um homem de opinões pouco convencionais, devido à sua formação intelectual diversa, e ao ser indagado sobre sua "fúria", afirma que este pretenso ódio não passa de deboche. Deboche é afirmar que Chico Buarque fala besteiras rotineiramente, que como letrista é um engodo. E logo a palavra engodo, que em uma de suas acepções significa coisa com que se engoda ou seduz alguém, adulação astuciosa... Qualquer semelhança com Diogo é mera coincidência...
Não fuma, não bebe, não dança - se julga extremamente tedioso - por isso relutava em conceder a entrevista há mais de um ano. Uma pessoa "chocha", como se autodenomina. Nem aparelho de som tem em casa. Afirma que progressivamente foi se afastando da música. Hoje, já não ouve nada. Sem dúvida, fez o mesmo com o bom senso.
Como já dizia o mestre Caymmi, quem não gosta de samba, bom sujeito não é. Imagina quem nem de música gosta.
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Quem sou eu
- tati
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Bacharel em Letras-Português Inglês pela UFRJ - Jornalista formada pela UNESA. Por mim mesma (26/07/2007) Não sei desenhar. Não vejo novela. Não sei quem é a atriz do momento. Como a nêga, nunca fui à Bahia não. Nem quero ir. Não gosto de mate. Não faço pilates. Nem ioga. Odeio Paulo Coelho. Abomino Jabour e Mainardi. Não queria morar numa cabana. Não queria ter um iate. Queria ter menos preguiça. Queria ter menos vontade. Queria tocar piano. Queria cantar. Bem alto. Queria ler todos os livros bons. Queria ler a alma, dos maus. Queria comer chocolate e não engordar. Rir na hora de calar. Queria ter mais amigos verdadeiros Queria ter menos amores vãos. Queria ter poderes mágicos. De parar o tempo. De fazer voltar as horas. Queria ter mais vidas Pra caber tudo Que eu queria ser.