quinta-feira, julho 26, 2007

Por mim mesma

Não sei desenhar. Não vejo novela. Não sei quem é a atriz do momento. Como a nêga, nunca fui à Bahia não. Nem quero ir. Não gosto de mate. Não faço pilates. Nem ioga. Odeio Paulo Coelho. Abomino Jabour e Mainardi.
Não queria morar numa cabana. Não queria ter um iate. Queria ter menos preguiça. Queria ter menos vontade. Queria tocar piano. Queria cantar. Bem alto.
Queria ler todos os livros bons. Queria ler a alma, dos maus. Queria comer chocolate e não engordar. Rir na hora de calar.
Queria ter mais amigos
verdadeiros
Queria ter menos amores
vãos.
Queria ter poderes mágicos.
De parar o tempo. De fazer voltar as horas.
Queria ter mais vidas
Pra caber tudo
Que eu queria ser.

quarta-feira, julho 25, 2007

O que nosso Brasil vai ser quando crescer?

Queria ser artista, ser musa
Ser capa de revista!
Seu sonho era aparecer na TV
Podia ser novela, minissérie, ou até BBB

Queria ser gente
Cidadão, na carteira
de identidade
Seu sonho era ter o que comer
Mas apareceu na TV
Mais uma estatística
Do jornal diário
Que transmite ao vivo
e em cores
Um Brasil onde ser é poder.

Doce ilusão

Dizem que meu verso é triste
que vivo em sua solidão
Mal sabem que o deixo impresso na folha,
em letras miúdas
E fica em branco
O meu coração.

Você

Sonho, e penso
Choro e durmo
Rio e vivo
Só pra você

Ah que alegria!
Se um dia soubesse
onde está você

Minha alma serenaria
Se pudesse dizer
Que olho o mundo
Só por você

A verdade é que ninguém é como você
A certeza é que ninguém nunca vai ser
Espero então com a calma de quem ama
O dia em que Deus
Me permitirá enfim lhe conhecer.

quinta-feira, julho 19, 2007

Retrô-cesso

A moda agora é ser retrô
Comprar um fusca 70, usar vintage
Brechó e maiô

A moda é ter uma Prada
Mas também ser ecologicamente correto
Só compre as de material reciclado
Do papelâo que cobre as noites dos sem-teto

A moda é ser otimista
e aceitar tudo de bom grado
Afinal, o que é uma guerrinha lá no Oriente Médio
Quando subiu absurdamente o preço do importado?

A moda agora é ser chique
Mas sem querer ser
Pois classe é algo natural
Um estado de espírito quase zen
É posar de pseudo-intelectual
Mesmo que não passes de um joão-niguém.

À criança que nunca conheci

Queria poder te dizer
tudo que vi.
Quem dera pudesse transpor num olhar
tudo que senti.

A estranheza calma
do desconhecido
A urgência sutil
de cada manhâ

Queria poder estar
Pra lhe falar da esperança
Da angústia, do medo
Ver seu primeiro sorriso,
seu espanto, seu pranto
descansar-te em meu seio

Quem dera pudesse trazer de volta
o instante
Que o tempo cruel me levou
Imploraria pra que se compadecesse
e parasse o mundo por um segundo.
Antes do despertar da minha dor.

quarta-feira, julho 18, 2007

O Não-saber


Sempre quis saber o porquê.

Sempre quis tentar entender.

Hoje o porquê já não interessa mais.

Perdeu sua razão razão de ser.

Deu lugar ao não-querer, não-ligar, ao não-saber.


A dúvida inquieta.

A ignorância conforta.

Dá à alma uma plenitude serena

Que só os alheios têm

Construo meu mundo sem saber, sem ligar,

Assim, sem querer.


Palavras levadas ao vento,

Perdem as letras, os acentos,

A pontuação.

Uma ou duas exclamações ainda teimam em pairar no ar

Expulsas pelo ponto final,

retomam enfim seu derradeiro bailar.


domingo, julho 15, 2007

Não quero

Não quero o fantasma,
Quero o medo

Não quero a mágoa,
quero a dor

Não quero o fogo,
e sim seu ardor

Não quero dizer,
nem quero calar

Não quero partir,
mas já não posso ficar

Não quero saber
Não quero, querer.

Duas Facetas

Desconfie da verdade traiçoeira
Somente a ilusão conforta
Com sua terna e vil faceta

E quando lhe baterem à porta
Espante-as sem dó
A verdade da ilusão é ser um,
Mas sendo dois num só.

terça-feira, julho 03, 2007

Receita do falso amor

O falso amor surge como que por encanto
Adicione uma pitada de hiprocisia
Sinceridade - separe num canto.

Misture-o bem para não desandar
O ponto do falso amor é algo duro de se achar

Leve a fogo baixo, porque ele é fácil de se queimar!
Ou, melhor ainda, coloque-o em banho-maria
Se você não quiser arriscar

Compre uma bonita forma, enfeite-a com o mais belo ornamento
Corte-o em fatias pequenas, para que seu fim seja mais lento
Mas saboreie-o com grandes garfadas, para mostrar o prazer
Que só o falso amor proporciona, àqueles que o fazem por merecer.

quarta-feira, junho 20, 2007

Perder-se

Perco em mim a razão.
Palavras soltas ao vento,
versos gastos em vão.

Perco em mim o pudor.
Coração insano, mãos trêmulas
Não mais sei quem sou.

Perco em mim o tempo.
Em ti infinito, moro sem lar.
Acho-me então labirinto
Perdido eternamente na promessa do teu olhar.

sábado, maio 26, 2007

Poema Silenciado




O que cada verso fala



Eu calo





Dos olhos,


cai-me a alma





Da boca,


cerra-se a mágoa





Vertigem vã,


Devaneio insano





Cada fala que verso,


De mim apago.

sábado, maio 19, 2007

Reinventando-me

Nasço todo dia na minha solidão.

De manhã durmo fogo,
ferida aberta.
À noite levanto ilusão,
paixão desperta.

O que resta de mim
Eu morro

O que vive em mim
Não me resta

Não mais...

terça-feira, maio 15, 2007

Ontem foi Dia das Mães... Sei que é pouco pra demostrar meu amor por ela... Como disse, agradeço a Deus todo dia por ter escolhido você pra mim...

Amor de mãe

Quando nada mais resta.
Quando sorrir me parece um enorme esforço.
Quando o mundo parece ser meu.
Quando a alegria estampa meu rosto.

Nos dias chuvosos, nas noites estreladas.
Na hora do colo, na hora da risada.
Em teu seio descanso, faço de ti minha morada.

Teu toque conforta, teu carinho me acalma.
Teu simples olhar desvenda minh’ alma
Em ti encontro alento, paz.
Teu amor faz um bem, um bem que só você me faz.

segunda-feira, março 26, 2007

Divagando, em plena luz do dia...

Almocei sozinha hoje, pela segunda vez na semana. Sempre tive um sentimento contraditório em relação à solidão. Odeio estar só, mas é só quando estou sozinha que me encontro. Por isso, às vezes, lhe sou grata. E hoje foi um desses dias.
Em meio a um burburinho incessante, comum ao maior shopping da América Latina no horário do almoço, entre estômagos famintos, entre passos apressados, deparei-me com o silêncio. Pedi licença para sentar-me a seu lado, e ela assentiu numa voz suave e, cabisbaixa, se desculpou. "Desculpa" - disse.
Lia, compenetradíssima, um livro de papel reciclado. Indiferente a tudo. Presa em seu mundo. Despertou momentaneamente ao sorrir de uma criança, e devolveu-lhe o sorriso. Em minha torpe imaginação, chamei-lhe Carina. Carina era a típica menina tímida da escola, longe de ser popular. Será que Carina se importava? Será que queria ter nascido bela? Reconheci parte de mim em Carina. Parte de mim perdida no tempo, na adolescência de sonhos falsamente realizáveis e de dores inacabáveis. Desejei ser Carina. Despercebida, em paz com ela mesma.
A palavra desculpa ecoava ainda em minha mente. Por que teria me pedido desculpas? Por estar ali, ocupando um espaço que supostamente não deveria ser dela? Por não pertencer àquele lugar? Definitivamente, não era Carina, e sim o lugar que não lhe pertencia. Ignorante a isso, Carina lia. E pedia desculpas, por existir.

sexta-feira, março 23, 2007

Alheio a nós....

















Não deu na TV. Muito menos no rádio. Nem uma nota, de pé de página, no jornal. O mundo alheio a mim, alheio a nós, alheio ao amor. Não deu. Mas acabou. Assim como o dia, com sua vigorosa manhã, se deixa invadir da noite. Assim como a lua, misteriosa e bela, se deixa cobrir de sol. Desmanchou-se em pingos de chuva. Esvaiu-se em gotas, de orvalho. Esvaiu-se ao soprar da brisa do mar. Pequeninos grãos, numa dança circular, ainda bailam ao vento...em vão tentam permanecer unidos, mas por fim também esvaiem-se. Tudo que é belo tem seu fim... Esvaio-me então...pra dentro de mim.

quarta-feira, março 21, 2007

Quando tento te encontrar...























Absorta em meus pensamentos. Um vazio.
Uma falta sentida, mas não tangível.
Tento lembrar. Esqueço. Lembrei-me de sempre esquecer.
Mecanismo questionável, mas muito eficiente.
Lembrar é recordar, e recordar, pra mim, não é viver.
Quanto mais tento entender, mais me confundo.
Quanto mais tento recordar, mais me esqueço.
Quando mais tento te encontrar, mais me perco...

quinta-feira, março 08, 2007

Feliz Dia Internacional das Mulheres para todas nós!!!!!!!!!!


Nenhum texto que eu escrevesse chegaria aos pés de qualquer palavra dele... Então em nossa homenagem... Vinicius...
Poemas para todas as mulheres

Vinicius de Moraes
No teu branco seio eu choro.
Minhas lágrimas descem pelo teu ventre
E se embebedam do perfume do teu sexo.
Mulher, que máquina és, que só me tens desesperado
Confuso, criança para te conter!
Oh, não feches os teus braços sobre a minha tristeza não!
Ah, não abandones a tua boca à minha inocência, não!
Homem sou belo
Macho sou forte, poeta sou altíssimo
E só a pureza me ama e ela é em mim uma cidade e tem mil e uma portas.
Ai! teus cabelos recendem à flor da murta
Melhor seria morrer ou ver-te morta
E nunca, nunca poder te tocar!
Mas, fauno, sinto o vento do mar roçar-me os braços
Anjo, sinto o calor do vento nas espumas
Passarinho, sinto o ninho nos teus pêlos...
Correi, correi, ó lágrimas saudosas
Afogai-me, tirai-me deste tempo
Levai-me para o campo das estrelas
Entregai-me depressa à lua cheia
Dai-me o poder vagaroso do soneto, dai-me a iluminação das odes, dai-me
o cântico dos cânticos
Que eu não posso mais, ai!
Que esta mulher me devora!
Que eu quero fugir, quero a minha mãezinha quero o colo de Nossa Senhora!

segunda-feira, março 05, 2007

Incertezas...

Pular de pára-quedas. Escalar uma montanha. Competir uma corrida de Fórmula 1. Fazer snowboard. Fazer um vôo livre. A liberdade nunca foi para mim o que é para a maioria. Muitos precisam de adrenalina para se sentirem vivos, eu preciso de segurança. Sou uma medrosa confessa, avessa a esportes radicais, principalmente os que envolvem altura - tenho pavor. Aventura pra mim é tomar chuva de biquini, no máximo. Nem montanha-russa encaro, a única vez que fui foi suficiente. Talvez Freud explique, mas por isso sempre fui uma pessoa que precisou se sentir segura. Em relação ao trabalho, à família, aos amigos. O problema é que esta segurança é completamente irreal. Ela existe somente na superfície - a vida se faz de incertezas. O beijo corriqueiro de "até mais" de todos os dias pode ser o último beijo. O do adeus. Desculpem-me se posso estar parecendo melancólica ou algo do gênero, mas acontecimentos recentes, com amigos próximos, me levaram a confrontar uma verdade que eu já conhecia, mas que tinha medo de admitir: nada é para sempre. O nosso certo de hoje pode ser a incerteza de amanhã. É preciso ser feliz, pois, no presente. Seu sonho é pular de pára-quedas? Pule hoje. Beijar aquela pessoa que você acha que nem olha pra você? Tente hoje. Realizar um sonho que para os outros é bobagem? Comece a concretizá-lo hoje. O amanhã é feito de incertezas, mas podemos realizar nossas meias certezas no hoje.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Ausência...


Ausência
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada, aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência, essa ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.

Lembrei-me desse poema de Carlos Drummond de Andrade logo que pensei em postar algo sobre a minha amiga Dani, por ele falar de ausência. Depois de três períodos estudando juntas, ela vai estudar no turno da noite. Pode parecer banal para os outros eu lamentar essa "pequena" mudança em nossas vidas, já que uma verdadeira amizade não se prova na quantidade de tempo que se passa junto... Mas sua ausência vai, contrariando Drummond (como ouso eu? rs), me fazer muita falta. Nossas farras, nossas conversas, nossos mútuos aconselhamentos (apesar de ela dizer que sou a irmã mais velha rs), tudo que passamos juntas foi muito bom... Acredito mesmo que Deus coloca as pessoas certas no nosso caminho para que possamos ver que sempre vale a pena ter esperança, pois essas pessoas especiais fazem as horas difíceis se tornarem cada vez mais brandas, até irem se esvaindo... Agradeço mesmo do fundo do coração não só pela sua amizade, mas pela amizade de todas as meninas _ Tatá, Isa e Marcinha. Sei que ninguém muda de uma hora pra outra, mas tenho certeza que vocês foram responsáveis por eu tentar ser o meu melhor.... e isso não vou esquecer jamais...

Quem sou eu

Minha foto
Rio de Janeiro, RJ, Brazil
Bacharel em Letras-Português Inglês pela UFRJ - Jornalista formada pela UNESA. Por mim mesma (26/07/2007) Não sei desenhar. Não vejo novela. Não sei quem é a atriz do momento. Como a nêga, nunca fui à Bahia não. Nem quero ir. Não gosto de mate. Não faço pilates. Nem ioga. Odeio Paulo Coelho. Abomino Jabour e Mainardi. Não queria morar numa cabana. Não queria ter um iate. Queria ter menos preguiça. Queria ter menos vontade. Queria tocar piano. Queria cantar. Bem alto. Queria ler todos os livros bons. Queria ler a alma, dos maus. Queria comer chocolate e não engordar. Rir na hora de calar. Queria ter mais amigos verdadeiros Queria ter menos amores vãos. Queria ter poderes mágicos. De parar o tempo. De fazer voltar as horas. Queria ter mais vidas Pra caber tudo Que eu queria ser.