quarta-feira, junho 20, 2007
sábado, maio 26, 2007
Poema Silenciado
sábado, maio 19, 2007
Reinventando-me
De manhã durmo fogo,
ferida aberta.
À noite levanto ilusão,
paixão desperta.
O que resta de mim
Eu morro
O que vive em mim
Não me resta
Não mais...
terça-feira, maio 15, 2007
Amor de mãe
Quando nada mais resta.
Quando sorrir me parece um enorme esforço.
Quando o mundo parece ser meu.
Quando a alegria estampa meu rosto.
Nos dias chuvosos, nas noites estreladas.
Na hora do colo, na hora da risada.
Em teu seio descanso, faço de ti minha morada.
Teu toque conforta, teu carinho me acalma.
Teu simples olhar desvenda minh’ alma
Em ti encontro alento, paz.
Teu amor faz um bem, um bem que só você me faz.
segunda-feira, março 26, 2007
Divagando, em plena luz do dia...
sexta-feira, março 23, 2007
Alheio a nós....

quarta-feira, março 21, 2007
Quando tento te encontrar...

quinta-feira, março 08, 2007
Feliz Dia Internacional das Mulheres para todas nós!!!!!!!!!!

Vinicius de Moraes
segunda-feira, março 05, 2007
Incertezas...
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Ausência...

Lembrei-me desse poema de Carlos Drummond de Andrade logo que pensei em postar algo sobre a minha amiga Dani, por ele falar de ausência. Depois de três períodos estudando juntas, ela vai estudar no turno da noite. Pode parecer banal para os outros eu lamentar essa "pequena" mudança em nossas vidas, já que uma verdadeira amizade não se prova na quantidade de tempo que se passa junto... Mas sua ausência vai, contrariando Drummond (como ouso eu? rs), me fazer muita falta. Nossas farras, nossas conversas, nossos mútuos aconselhamentos (apesar de ela dizer que sou a irmã mais velha rs), tudo que passamos juntas foi muito bom... Acredito mesmo que Deus coloca as pessoas certas no nosso caminho para que possamos ver que sempre vale a pena ter esperança, pois essas pessoas especiais fazem as horas difíceis se tornarem cada vez mais brandas, até irem se esvaindo... Agradeço mesmo do fundo do coração não só pela sua amizade, mas pela amizade de todas as meninas _ Tatá, Isa e Marcinha. Sei que ninguém muda de uma hora pra outra, mas tenho certeza que vocês foram responsáveis por eu tentar ser o meu melhor.... e isso não vou esquecer jamais...
segunda-feira, janeiro 29, 2007
Tom Jobim... o maior de todos...
Luiza
Composição: Antônio Carlos Jobim
Rua, Espada nua
Bóia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração
Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza
Poema da necessidade
Carlos Drummond de Andrade
É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.
O especial "Tom Jobim: Eu sei que Vou te amar" prestou uma homenagem aos oitenta anos que o poeta estaria completando se ainda estivesse entre nós. Mas como disse Camila Pitanga, ao final do programa, parafraseando Guimarães Rosa: "Tom não morreu, tornou a se encantar".
E continuará nos encantando por muito tempo...
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Some poetry...
Na escuridão de teus olhos
Na imensidão do teu céu
Mergulho sem pensar
O profundo silêncio se rompe
Com a intensidade do teu olhar
Gotas de chuva caem de meus olhos
E seu incessante arfar
Fundem-se numa união perfeita
Teu céu enfim
Desagüa no meu mar.
Despair
So naive was I to believe you
So desperate was the night
To deceive us
The smile too soon faded away
And so did the brightness of the day.
Aftermath
I have set myself free
You no longer own me
Once you were my love
Now you can’t even hold me
May sorrow be your company
I truly hope you have no rest
For now despair
Has become your only guest.
Indiferença / A Nova Era
Eu sonhei que a imensidão azul se enfurecia
E a tudo consumia
Eu sonhei que o vento soprava tanto
Que fez perder o som o sax
Eu sonhei que rajadas de luz cortavam o céu sagrado
Numa guerra com as estrelas
Eu sonhei que um clarão de luz fez parar a egrenagem
Do grande relógio, do tempo
Acordei assustada do meu sonho.
Fechei os olhos
E desliguei a TV.
terça-feira, janeiro 16, 2007
Pensativa....

segunda-feira, janeiro 08, 2007
Parabéns irmãozinho lindo!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Hoje é aniversário do meu irmão lindo. Há vinte anos nascia esse menino que me fez deixar de ser filha única e embarcar em um universo completamente diferente do que eu imaginava. Lembro-me como se fosse hoje, tinha seis anos e exatos cinco meses, pois ambos nascemos no dia oito. Minhas primeiras palavras pra minha mãe quando fui apresentada a meu irmão foram: _ Nossa, mas como é feio! haha E vermelho! Era feio e todo vermelhinho, o pimpolho! Como sou grata de lembrar desse momento, apesar de me recordar que do alto de minha "maturidade" ao seis anos de idade, senti um misto de sentimentos, que variavam entre alegria e perda. Sabia que minha mãe e meu pai não iam ser só meus mais, mas afinal, o que eu estava reclamando? Era eu que tinha "pedido um irmãozinho"... Apesar de toda criança pedir isso, ele foi um presente inesperado... Seu nome, Thiago, com "th" mesmo, foi escolhido por mim em homenagem ao homem da minha vida, que também tinha seis anos...rs
Nossa diferença de idade sempre fez com que meu irmão me admirasse, até que veio a adolescência.... Lembro que quando eu tinha uns treze anos, estava começando a virar mocinha, e ele tinha apenas seis, brincava com ele como se ainda fosse criança... Sempre gostei muito de criança, e hoje, apesar de amar a afinidade que tenho com meu irmão nessa fase adulta, sinto saudade do tempo em que ele era apenas um menino, e eu brincava de ser sua mãe...
Ter um irmão nos ensina muito sobre nossa própria identidade. Aprendemos logo que por mais que tenhamos os mesmos pais, nossa educação jamais será igual e nem nossa personalidade. Ser filha única tinha suas vantagens, a atenção era toda voltada pra mim... Mas se eu pudesse voltar no tempo e tivesse a opção de escolher, faria tudo de novo! Pois ter um irmão é ter um amigo que vi crescer, que compartilhei tristezas e alegrias, que odiei em alguns momentos, mas que com certeza amei em muitos outros mais... Tenho orgulho não só de ser sua irmã, mas de saber que mais do que irmãos, somos amigos. Parabéns pra você maninho lindo! Que você seja muito feliz e consiga tudo que almeja! Te amo muitoo!!!!!!
Espero que eu consiga parar de ver você sempre como a criança que você era (tenho ciúme pior que de mãe), e aceite que o tempo passou e que você hoje é um homem, e não precisa mais de uma irmã chata pra cuidar de você... Mas estarei sempre ali, ainda que não perceba, e mesmo que não mais precise...
sexta-feira, janeiro 05, 2007
Simplesmente Sensacional...
Ano Novo é sempre uma época de reflexão, de arrependimentos, de promessas.... Pois neste ano que passou, fiz coisas que jamais esperava fazer (minha tatoo por exemplo), conheci pessoas de todos os tipos, de todas as idades, conheci vários lugares novos, enfim, vivi bastante.... Mas vivi com a consciência de que o que realmente importa na vida são as pessoas que amamos, e tê-las ao nosso lado, com saúde, é uma bênção, e deveríamos agradecer a Deus todos os dias por isso... Agradeço aqui então àqueles que me fizeram sorrir, àqueles que me fizeram chorar, àqueles que me esqueceram e àqueles que jamais vão me esquecer... Pois de uma forma ou de outra todos contribuíram para que eu pudesse simplesmente viver.... e aprender que perdoar aos outros é, antes de mais nada, conseguir perdoar a si mesmo.... Hoje me sinto uma pessoa mais forte, que aprendeu a dar mais valor à família e aos amigos.... o resto é detalhe... Feliz 2007 pra todos vocês !!!!!!
domingo, dezembro 31, 2006
Feliz Ano Novo!!!!!!! Happy New Year!!!!!!!!!!!!!!

Receita de ano novo
Para você ganhar belíssimo Ano Novo cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido (mal vivido talvez ou sem sentido) para você ganhar um ano não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; novo até no coração das coisas menos percebidas (a começar pelo seu interior) novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, mas com ele se come, se passeia, se ama, se compreende, se trabalha, você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, não precisa expedir nem receber mensagens (planta recebe mensagens? passa telegramas?)
Não precisa fazer lista de boas intenções para arquivá-las na gaveta. Não precisa chorar arrependido pelas besteiras consumidas nem parvamente acreditar que por decreto de esperança a partir de janeiro as coisas mudem e seja tudo claridade, recompensa, justiça entre os homens e as nações, liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, direitos respeitados, começando pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um Ano Novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano Novo cochila e espera desde sempre.
Carlos Drummond de Andrade
domingo, dezembro 24, 2006
Feliz Natal para todos!!!!!
Vinicius de Moraes
Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Nascemos, imensamente.
quinta-feira, dezembro 21, 2006
Parabéns Pai!!!!
Como Dizia Meu Pai
Fernando Sabino
JÁ SE TORNOU HÁBITO MEU, em meio a uma conversa, preceder algum comentário por uma introdução:— Como dizia meu pai...
Nem sempre me reporto a algo que ele realmente dizia, sendo apenas uma maneira coloquial de dar ênfase a alguma opinião.
De uns tempos para cá, porém, comecei a perceber que a opinião, sem ser de caso pensado, parece de fato corresponder a alguma coisa que Seu Domingos costumava dizer. Isso significará talvez — Deus queira — insensivelmente vou me tornando com o correr dos anos cada vez mais parecido com ele. Ou, pelo menos, me identificando com a herança espiritual que dele recebi.
Não raro me surpreendo, antes de agir, tentando descobrir como ele agiria em semelhantes circunstâncias, repetindo uma atitude sua, até mesmo esboçando um gesto seu. Ao formular uma idéia, percebo que estou concebendo, para nortear meu pensamento, um princípio que se não foi enunciado por ele, só pode ter sido inspirado por sua presença dentro de mim.
— No fim tudo dá certo...
Ainda ontem eu tranqüilizava um de meus filhos com esta frase, sem reparar que repetia literalmente o que ele costumava dizer, sempre concluindo com olhar travesso:
Se não deu certo, é porque ainda não chegou no fim.
Gosto de evocar a figura mansa de Seu Domingos, a quem chamávamos paizinho, a subir pausadamente a escada da varanda de nossa casa, todos os dias, ao cair da tarde, egresso do escritório situado no porão. Ou depois do jantar, sentado com minha mãe no sofá de palhinha da varanda, como namorados, trocando notícias do dia. Os filhos guardavam zelosa distância, até que ela ia aos seus afazeres e ele se punha à disposição de cada um, para ouvir nossos problemas e ajudar a resolvê-los. Finda a última audiência, passava a mão no chapéu e na bengala e saía para uma volta, um encontro eventual com algum amigo. Regressava religiosamente uma hora depois, e tendo descido a pé até o centro, subia sempre de bonde. Se acaso ainda estávamos acordados, podíamos contar com o saquinho de balas que o paizinho nunca deixava de trazer.
Costumava se distrair realizando pequenos consertos domésticos: uma bóia de descarga, a bucha de uma torneira, um fusível queimado. Dispunha para isso da necessária habilidade e de uma preciosa caixa de ferramentas em que ninguém mais podia tocar. Aprendi com ele como é indispensável, para a boa ordem da casa, ter à mão pelo menos um alicate e uma chave de fenda. Durante algum tempo andou às voltas com o velho relógio de parede que fora de seu pai, hoje me pertence e amanhã será de meu filho: estava atrasando. Depois de remexer durante vários dias em suas entranhas, deu por findo o trabalho, embora ao remontá-lo houvesse sobrado umas pecinhas, que alegou não fazerem falta. O relógio passou a funcionar sem atrasos, e as batidas a soar em horas desencontradas. Como, aliás, acontece até hoje.
Tinha por hábito emitir um pequeno sopro de assovio, que tanto podia ser indício de paz de espírito como do esforço para controlar a perturbação diante de algum aborrecimento.
— As coisas são como são e não como deviam ser. Ou como gostaríamos que fossem.
Este pronunciamento se fazia ouvir em geral quando diante de uma fatalidade a que não se poderia fugir. Queria dizer que devemos nos conformar com o fato de nossa vontade não poder prevalecer sobre a vontade de Deus - embora jamais fosse assim eloqüente em suas conclusões. Estas quase sempre eram, mesmo, eivadas de certo ceticismo preventivo ante as esperanças vãs:
— O que não tem solução, solucionado está.
E tudo que acontece é bom — talvez não chegasse ao cúmulo do otimismo de afirmar isso, como seu filho Gerson, mas não vacilava em sustentar que toda mudança é para melhor: se mudou, é porque não estava dando certo. E se quiser que mude, não podendo fazer nada para isso, espere, que mudará por si.
Às vezes seus princípios pareciam confundir-se com os da própria sabedoria mineira: esperar pela cor da fumaça, não dar passo maior do que as pernas, dormir no chão para não cair da cama. Os dele eram mais singelos:
— Mais vale um apertinho agora que um apertão o resto da vida.
— Negócio demorado acaba não saindo.
— Dinheiro bom em coisa boa.
— Antes de entrar, veja por onde vai sair.
Um dia me disse, ao me surpreender tentando armar um brinquedo qualquer com mãos desajeitadas:
— Meu filho, tudo que é bem feito se faz com os dedos, não com as mãos.
Tenho tido ocasião ao longo da vida de observar como é procedente este seu ensinamento. A mão é grossa, pesada, insensível. Se não fossem os dedos de nada serviria, a não ser para dar bofetadas. Os dedos são refinados, sensitivos, e a eles devemos tudo o que é bem feito e acabado: do mais requintado trabalho manual às mais complicadas operações, da mais fina sensação do tacto à mais terna das carícias.
— Se o cafezinho foi bom, melhor não aceitar o segundo: será sempre pior que o primeiro.
Como tudo mais nessa vida: uma viagem, uma mulher: não repetir, pois a emoção jamais será a mesma da primeira vez. E não desanimar, pois se nascemos nus e estamos vestidos, já estamos no lucro. Nada neste mundo é cem por cento perfeito. Se contamos com mais de cinqüenta por cento, também já estamos no lucro. Quando conseguimos o que é apenas bom, naturalmente devemos continuar aspirando o melhor, se possível - mas perfeição absoluta, só Deus. E creio que Seu Domingos, homem íntegro, reto e temente a Deus, hoje em Sua companhia, não consideraria sacrilégio comentar, naquele seu jeito ladino:
— E assim mesmo, olhe lá...
Seus conselhos eram de tamanha simplicidade que tinham a força de provérbios nascidos da voz do povo: nada como um dia depois do outro, um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar, tudo tem seu tempo. Fosse ele influenciado por leituras piedosas, poderíamos mesmo detectar, aqui e ali, vestígios de inspiração bíblica: tempo de semear, tempo de colher...
— É o que nos acontece.
Há uma diferença sutil entre admitir que as coisas são como são, não como deviam ser, e reconhecer que é o que nos acontece. Aqui, o comentário não pretendia refletir a impossibilidade de modelar (com os dedos) os fatos de acordo com a nossa vontade, mesmo que esta esteja certa. Exprime antes a humilde aceitação da nossa precária condição humana, como frágeis criaturas de Deus. Procura se solidarizar com a desgraça alheia, como a dizer que também estamos sujeitos a ela, somos todos irmãos na mesma atribulação. É o que nos acontece.
Portanto, alegremo-nos! Uma amiga minha, que não o conheceu, busca nele se inspirar quando afirma, sempre que se vê diante de algum contratempo:
— Antes de mais nada, fica estabelecido que ninguém vai tirar o meu bom humor.
Acabei levando esta disposição de minha amiga às últimas conseqüências: o mais importante é não perder a capacidade de rir de mim mesmo. Como Cartola e Carlos Cachaça naquele samba, às vezes dou gargalhadas pensando no meu passado.. . E cada vez acredito mais no ensinamento recebido não sei se de meu pai ou diretamente de Confúcio, segundo o qual há várias maneiras de realizar um desejo, sendo uma delas renunciar a ele. Como adverte outro sábio, se desejamos obstinadamente alguma coisa, é melhor tomar cuidado, porque pode nos suceder a infelicidade de consegui-la.
Tudo isso que de uns tempos para cá vem me vem ocorrendo, às vezes inconscientemente, como legado de meu pai, teve seu coroamento há poucos dias, quando eu ia caminhando distraído pela praia. Revirava na cabeça, não sei a que propósito, uma frase ouvida desde a infância e que fazia parte de sua filosofia: não se deve aumentar a aflição dos aflitos. Esta máxima me conduziu a outra, enunciada por Carlos Drummond de Andrade no filme que fiz sobre ele, a qual certamente Seu Domingos perfilharia: não devemos exigir das pessoas mais do que elas podem dar. De repente fui fulminado por uma verdade tão absoluta que tive de parar, completamente zonzo, fechando os olhos para entender melhor. No entanto era uma verdade evangélica, de clareza cintilante como um raio de sol, cheguei a fazer uma vênia de gratidão a Seu Domingos por me havê-la enviado:
Só há um meio de resolver qualquer problema nosso: é resolver primeiro o do outro.
Com o tempo, a cidade foi tomando conhecimento do seu bom senso, da experiência adquirida ao longo de uma vida sem maiores ambições: Seu Domingos, além de representante de umas firmas inglesas, era procurador de partes — solene designação para uma atividade que hoje talvez fosse referida como a de um despachante. A princípio os amigos, conhecidos, e depois até desconhecidos passaram a procurá-lo para ouvir um conselho ou receber dele uma orientação. Era de se ver a romaria no seu escritório todas as manhãs: um funcionário que dera desfalque, uma mulher abandonada pelo marido, um pai agoniado com problemas do filho — era gente assim que vinha buscar com ele alívio para a sua dúvida, o seu medo, a sua aflição. O próprio Governador, que não o conhecia pessoalmente, certa vez o consultou através de um secretário, sobre questão administrativa que o atormentava. Não se falando nos filhos: mesmo depois de ter saído de casa, mais de uma vez tomei trem ou avião e fui colher uma palavra sua que hoje tanta falta me faz.
Resta apenas evocá-la, como faço agora, para me servir de consolo nas horas más. No momento, ele próprio está aqui a meu lado, com o seu sorriso bom.
O texto acima foi publicado originalmente no livro "A Volta por Cima" e extraído de "Fernando Sabino - Obra Reunida, Vol. III", Editora Nova Aguilar - Rio de Janeiro, 1996, pág.611.
quarta-feira, dezembro 13, 2006
Grandes Esperanças
sábado, dezembro 09, 2006
Contrariando o post anterior...

Bem...ontem (aliás, mais precisamente hoje rs) falei que era notívaga, e contrariando meu hábito usual, cá estou eu escrevendo de dia! Um dia meio nublado, devo admitir, mas ainda sim dia! Postei a primeira poesia que recebi na vida e decidi postar também a primeira poesia que fiz - ou pelo menos a primeira de que me lembro... rs
Meu ser
Do orvalho, a folha
Da semente, o grão
Da dúvida, a escolha
Da loucura, a razão
És meu tudo, és meu nada
És meu anseio, minha chegada
És correnteza, água do mar
És a certeza do incessar
Meu pôr-do-sol, minha nascente
És minha alma, és minha mente
És meu refúgio, minha crença
És minha cura, minha doença
És da dor, meu alívio
Da agonia, do suplício
És de mim o querer
És meu desejo, és meu ser.
Quem sou eu
- tati
- Rio de Janeiro, RJ, Brazil
- Bacharel em Letras-Português Inglês pela UFRJ - Jornalista formada pela UNESA. Por mim mesma (26/07/2007) Não sei desenhar. Não vejo novela. Não sei quem é a atriz do momento. Como a nêga, nunca fui à Bahia não. Nem quero ir. Não gosto de mate. Não faço pilates. Nem ioga. Odeio Paulo Coelho. Abomino Jabour e Mainardi. Não queria morar numa cabana. Não queria ter um iate. Queria ter menos preguiça. Queria ter menos vontade. Queria tocar piano. Queria cantar. Bem alto. Queria ler todos os livros bons. Queria ler a alma, dos maus. Queria comer chocolate e não engordar. Rir na hora de calar. Queria ter mais amigos verdadeiros Queria ter menos amores vãos. Queria ter poderes mágicos. De parar o tempo. De fazer voltar as horas. Queria ter mais vidas Pra caber tudo Que eu queria ser.



