
O que cada verso fala
Eu calo
Dos olhos,
cai-me a alma
Da boca,
cerra-se a mágoa
Vertigem vã,
Devaneio insano
Cada fala que verso,
De mim apago.




Lembrei-me desse poema de Carlos Drummond de Andrade logo que pensei em postar algo sobre a minha amiga Dani, por ele falar de ausência. Depois de três períodos estudando juntas, ela vai estudar no turno da noite. Pode parecer banal para os outros eu lamentar essa "pequena" mudança em nossas vidas, já que uma verdadeira amizade não se prova na quantidade de tempo que se passa junto... Mas sua ausência vai, contrariando Drummond (como ouso eu? rs), me fazer muita falta. Nossas farras, nossas conversas, nossos mútuos aconselhamentos (apesar de ela dizer que sou a irmã mais velha rs), tudo que passamos juntas foi muito bom... Acredito mesmo que Deus coloca as pessoas certas no nosso caminho para que possamos ver que sempre vale a pena ter esperança, pois essas pessoas especiais fazem as horas difíceis se tornarem cada vez mais brandas, até irem se esvaindo... Agradeço mesmo do fundo do coração não só pela sua amizade, mas pela amizade de todas as meninas _ Tatá, Isa e Marcinha. Sei que ninguém muda de uma hora pra outra, mas tenho certeza que vocês foram responsáveis por eu tentar ser o meu melhor.... e isso não vou esquecer jamais...
Luiza
Composição: Antônio Carlos Jobim
Rua, Espada nua
Bóia no céu imensa e amarela
Tão redonda a lua
Como flutua
Vem navegando o azul do firmamento
E no silêncio lento
Um trovador, cheio de estrelas
Escuta agora a canção que eu fiz
Pra te esquecer Luiza
Eu sou apenas um pobre amador
Apaixonado
Um aprendiz do teu amor
Acorda amor
Que eu sei que embaixo desta neve mora um coração
Vem cá, Luiza
Me dá tua mão
O teu desejo é sempre o meu desejo
Vem, me exorciza
Dá-me tua boca
E a rosa louca
Vem me dar um beijo
E um raio de sol
Nos teus cabelos
Como um brilhante que partindo a luz
Explode em sete cores
Revelando então os sete mil amores
Que eu guardei somente pra te dar Luiza
Luiza
Luiza
Poema da necessidade
Carlos Drummond de Andrade
É preciso casar João,
é preciso suportar, Antônio,
é preciso odiar Melquíades
é preciso substituir nós todos.
É preciso salvar o país,
é preciso crer em Deus,
é preciso pagar as dívidas,
é preciso comprar um rádio,
é preciso esquecer fulana.
É preciso estudar volapuque,
é preciso estar sempre bêbado,
é preciso ler Baudelaire,
é preciso colher as flores de que rezam velhos autores.
É preciso viver com os homens
é preciso não assassiná-los,
é preciso ter mãos pálidas
e anunciar O FIM DO MUNDO.
O especial "Tom Jobim: Eu sei que Vou te amar" prestou uma homenagem aos oitenta anos que o poeta estaria completando se ainda estivesse entre nós. Mas como disse Camila Pitanga, ao final do programa, parafraseando Guimarães Rosa: "Tom não morreu, tornou a se encantar".
E continuará nos encantando por muito tempo...



